Ava Dellaira fala sobre a sua participação na #BienaldoLivroSP

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Batemos um papo, via Twitter, com Ava Dellaira para saber um pouco mais sobre as suas inspirações e sua vinda ao Brasil. A autora de Carta de Amor aos Mortos, publicado pela Companhia da Letras (selo Seguinte), participa da #BienaldoLivroSP no dia 28 de Agosto (16h).

Se você ainda não conhece o título, que é a estreia de Ava no mundo literário, fica a dica! Na história, a jovem Laurel (protagonista) passa a escrever cartas para Kurt Cobain, Janis Joplin, Amy Winehouse, Elizabeth Bishop etc., como forma de encarar a perda de sua irmã. Muito bem recebida pela crítica e pelo público, a obra foi definida por Laurie Halse Anderson (autora de Fale!) como “uma história brilhante sobre a coragem necessária para continuar vivendo depois que nosso mundo desmorona. Uma celebração comovente do amor, da amizade e da família.”. E, cá entre nós, um prato cheio para quem curte ler, ouvir música e viajar pela cultura pop! Confira a entrevista:

Oi Ava! Como vai? Estamos ansiosos para vê-la na Bienal!
Eu estou ansiosa para estar aí! É um grande honra ter sido convidada!

Vai ser a primeira vez que você vem ao Brasil? Você tem muitos fãs por aqui, sabia?
Sim, é a primeira vez que vou ao Brasil! Eu tive a chance de conversar com alguns leitores brasileiros pelo Twitter, pelo Facebook e por e-mail e todos eles têm sido maravilhosos, então estou muito animada para conhecer todo mundo!

O seu romance de estreia, Cartas de Amor aos Mortos, foi um grande sucesso. De onde você tirou a inspiração para escrevê-lo?
A inspiração veio das minhas próprias memórias enquanto crescia, além de obras dos artistas com quem a Laurel [protagonista do livro] se comunica. Sempre me interessei muito por cultura pop e as conexões que as pessoas formam com ela.

Fora isso, eu perdi a minha mãe alguns anos antes de começar a começar o livro. Escrevê-lo também foi uma forma de processar a minha perda.

A Laurel, personagem principal do livro, envia cartas para pessoas como Kurt Cobain e Amy Winehouse. Como você escolheu as personalidades com quem ela se corresponde?
Muitas dessas pessoas são gente cujo trabalho teve um grande significado para mim em momentos diferentes da minha vida. Eu comecei pensando em colocar até mais personalidades, mas enquanto editava o livro e a história da Laurel ficava mais clara estas escolhas também ficaram mais evidentes. Os destinatários dessas cartas e o enredo acabaram se complementando.

Se você pudesse, incluiria mais alguém na história?
Eu acho que não alteraria a história agora porque eu sinto que ela está completa, mas as mortes do Bowie, do Prince e do Robin Williams me afetaram bastante. Eram pessoas que significavam muito para mim, e eu posso me imaginar escrevendo cartas para cada um deles.

Muitas dessas personalidades são músicos, certo? Você sente que existe um relacionamento entre a literatura e a música no geral?
Eu acho que a música é uma das maneiras mais imediatas que temos de nos conectar com os nossos próprios sentimentos e com o mundo que nos cerca. Quando você está ouvindo a sua música favorita, de certo modo parece que ela pertence a você – como se ela lhe entendesse. Ao mesmo tempo, você sabe que muitas outras pessoas ao redor do mundo estão ouvindo aquilo também – então, a música cria uma conexão entre você e essas pessoas. Essa conexão é uma das coisas que a Laurel mais deseja e precisa no começo do livro, então é por isso que ela se volta para a música (e para os músicos).

Foi uma resposta meio longa para uma entrevista de Twitter, desculpa! LOL. Mas foi uma ótima pergunta!

Sem problema! Amamos a sua resposta. Então, que artistas e bandas você nos recomenda ouvir enquanto lemos o seu livro ?
Bom, definitivamente Nirvana! Amy Winehouse, Janis Joplin, The Doors… Aqui tem uma playlist (veja a foto acima), que vem na versão em inglês do livro. Ela tem algumas das músicas que a Laurel ouve, e outras que me inspiraram enquanto eu escrevia o livro e, depois, o roteiro do filme.

Que legal! Por falar em roteiro, o que você pode compartilhar sobre adaptar o livro para as telas?
Tem sido uma jornada divertida e excitante! Eu fiquei feliz de poder passar mais tempo com os personagens em um novo meio. Escrever um livro é um processo bastante solitário, já escrever para um filme é mais colaborativo, existem muitas vozes que contribuem de maneiras importantes e, no fim das contas, o diretor se torna o autor.

Para terminar, você tem algumas dicas de leitura? Alguns livros ou autores favoritos, por exemplo…
Tem muitos que eu amo! Eu sou uma grande fã da Jennifer Niven e estou muito animada que vamos visitar o Brasil juntas! Outro [autor] infanto-juvenil que está entre os meus favoritos é o Jandy NelsonEu Te Darei o Sol (I’ll give you the Sun) é simplesmente lindo.

Recentemente eu li Destinos e Fúrias (Fates and Furies) da Lauren Groff, que eu amei, e agora eu estou lendo Sweetbitter [de Stephanie Danler], que eu também estou amando.

Fora isso: Junot Diaz, Jennifer Egan, Elizabeth Strout, Laurie Halse Anderson, Elena Ferrante, Sandra Cisneros, Joan Didion…

Muito obrigado por falar com a gente! Só mais uma coisa: você pode mandar uma mensagem para os seus fãs brasileiros?
Foi um prazer! Eu sou muito grata pelo apoio dos leitores brasileiros – a reação de vocês ao livro é mais que um sonho que virou realidade! Muito obrigada!

Nos vemos logo logo na Bienal!
Mal posso esperar para vê-los! Beijos

*Dê uma olhada na foto acima, onde está playlist do livro “Carta de Amor aos Mortos“, publicada na edição do livro em inglês, que a Ava comentou!