Da lanterna… de volta ao topo

 

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Por Ari Bruno Lorandi

As regiões Norte e Nordeste, que havia mostrado maior resistência à desaceleração econômica em 2014, foram as mais afetadas pela retração da atividade verificada no ano passado. É o que mostra os dados sobre o nível de atividade em cada região divulgados pelo Banco Central e por órgãos federais e estaduais.

A economia brasileira fechou 2015 em queda e a retração, de 3,8% em relação a 2014, foi a maior da série histórica atual do IBGE iniciada em 1996. Considerando a série anterior, o desempenho é o pior desde 1990, quando o recuo chegou a 4,3%. Uma explicação para essa mudança é que a crise econômica atingiu primeiro o setor industrial, mais forte no Sul e no Sudeste, mas no ano passado chegou ao comércio, aos serviços e à construção civil, setores dos quais o Norte e Nordeste são mais dependentes. Em 2015, as vendas do varejo caíram com mais força no Nordeste, segundo o IBGE.

No setor de móveis a queda foi acentuada nos três estados pesquisados pelo IBGE (Bahia, Pernambuco e Ceará). Em Pernambuco a queda em volume de vendas bateu em 19,2%, a mais alta dos últimos 10 anos, na Bahia o recuo foi de 9,5% e no Ceará, embora sendo o que menos caiu, ainda assim o volume ficou 6,7% menor.

Mas 2017 será um ano bem diferente dos últimos três anos, bons ventos vão soprar no Norte e no Nordeste e podemos concluir isso quando se analisa o potencial de consumo de móveis nestas regiões. A previsão de 2017 para o Nordeste, segundo o Gold Map, é de R$ 13,267 bilhões, com alta de 9,5% previamente aos 9% de expansão em nível nacional. Mas em alguns estados a expectativa é ainda maior e nesse caso um deles é o Sergipe com expansão de 11,7%, já outros estados como Alagoas, Bahia, Ceará e Pernambuco terão taxas acima de 10%.

O Norte também tem todas as condições de recuperar as perdas destes anos de crise, principalmente pelo potencial econômico nos setores florestal e agropecuário. Para esta região o Gold Map prevê R$ 3,593 bilhões em gastos com mobiliário ano que vem. A alta é de 6,2%, na comparação com 2016.

Na próxima semana voltaremos ao assunto mostrando mais razões para justificar a nossa expectativa em relação à estas duas regiões do País.

*Ari Bruno Lorandi, diretor do Intelligence Group e palestrante na Movexpo 2017