Economia de Pernambuco à frente da Região Nordeste

201505281651 editado

Projeções dos economistas indicam que o Produto Interno Bruto (PIB) do estado deverá crescer 1,13% este ano

 

 

O ano que já terminou. Inflação alta, desvalorização do real, juros subindo, aperto fiscal e baixo crescimento econômico. A receita de bolo cai como uma bomba na economia brasileira, respingando para todos os lados. Estados e municípios não serão poupados. A XIX Análise Ceplan Consultoria de Planejamento confirma o quadro de dificuldades econômicas em 2015. Mesmo assim, as projeções dos economistas indicam que o Produto Interno Bruto (PIB) de Pernambuco deverá crescer 1,13% este ano, superior ao Nordeste (0,87%), e ao Brasil com retração de 0,32%.
De acordo com o economista Valdeci Monteiro, sócio-diretor da Ceplan, a crise econômica e política respingou em todas as regiões, mas a economia nordestina e, em particular, de Pernambuco ainda apresenta dinamismo e reage. Em 2014, o PIB do Nordeste cresceu 3,7% e o de Pernambuco 0,6%, enquanto o Brasil teve taxa de 0,1%. Ao mesmo tempo, é visível a desaceleração do consumo, com a retração das vendas no comércio e no setor de serviços. As vendas no varejo pernambucano caíram 2,8% entre janeiro e março de 2015.
No meio do furacão das crises econômica e da Petrobras, o diferencial pernambucano é a maturação dos investimentos. Valceci cita o desempenho da indústria de transformação, cujo crescimento da produção no acumulado dos três meses do ano foi de 2%, contrastando com a retração de 6% no Nordeste e de 7,9% no país.
A economista Tânia Bacelar, sócia-diretora da Ceplan, diz que as expectativas para os próximos seis meses indicam que o ano de 2015 será de declínio na economia do país.
Furacão no mercado de trabalho
A desmobilização dos canteiros de obras e a crise da Lava-Jato bateram forte no mercado de trabalho de Pernambuco. Com os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), os economistas da Ceplan demonstram que foram cortados 48.573 empregos com carteira assinada entre abril de 2014 e abril de 2015. A maior retração (2,8%) de vagas formais de todos os estados do Nordeste. O furacão não poupou os salários. Os pernambucanos tiveram a maior redução de 7,6% do rendimento médio no primeiro trimestre deste ano comparado ao mesmo período de 2014.
Os setores que mais cortaram postos de trabalho foram a construção civil (- 26,2%) e a indústria de transformação (-4,0%). Segundo o economista Jorge Jatobá, sócio-diretor da Ceplan, este movimento confirma o impacto das demissões em Suape com o fim das obras da refinaria. Em relação à indústria de transformação, ele cita a sazonalidade do emprego na Zona da Mata canavieira, cujo período da entressafra começa entre o final de março e o começo de abril.
Na XIX Análise Ceplan, foi apresentado um recorte especial sobre o jovem no mercado de trabalho. Segundo Jatobá, os dados revelam que caiu a oferta de mão de obra na faixa etária entre 15 e 29 anos no Nordeste e em Pernambuco entre 2003 e 2013, o que puxou a redução da taxa de desemprego. “Essa retração pode ter sido provocada pela melhora da renda, o que levou as famílias bancarem os filhos mais tempo na escola e nas universidades”.

 

Fonte: Diário de Pernambuco