Macaé na mira de US$ 500 bilhões em investimentos do setor offshore

20161010172820_40

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Abertura do mercado do petróleo nacional abre perspectivas de atração do capital estrangeiro

De uma ação política, plantada durante a edição da Brasil Offshore em 2015, surgem agora caminhos que podem levar Macaé a um novo ciclo de desenvolvimento, com base na abertura do mercado do petróleo nacional. E, por concentrar a expertise necessária para tirar a economia nacional do atoleiro, o município volta a entrar ‘na mira’ dos mais de US$ 500 bilhões em investimentos projetados pelas grandes empresas internacionais do setor de óleo e gás.

Mapeado pela Associação Brasileira de Empresas de Serviços do Petróleo (Abespetro), desde o ano passado, o potencial de recursos reservados para a expansão da participação das companhias que atuam nos segmentos de exploração e de produção de petróleo no mundo, deixa de ser um sonho e passa a ser realidade, a partir dos desdobramentos das discussões do projeto, aprovado pelo Congresso Nacional, que alivia a participação da Petrobras em todos os leilões realizados pela Agência Nacional do Petróleo (ANP).

O hiato de quase 10 anos de rodadas de negociação de áreas onde o petróleo de boa qualidade já foi descoberto na Bacia de Campos, cravou o ápice das operações de negócios na cidade. Em 2014, quando o município atingiu a maior arrecadação da história, com royalties e Participação Especial, surgiu o esvaziamento de oportunidades de negócios para as mais de 3,5 mil empresas sediadas na cidade, em virtude da escassez das operações que identificam e preparam as regiões de onde serão extraídos os barris de petróleo brasileiro.

Com a revisão da estratégia de expansão da produção do petróleo no país, um dos sinais dos efeitos da corrupção descoberta pela Operação Lava Jato, a Petrobras decretou o “período sabático” da indústria do petróleo local, que ainda tenta sobreviver à redução drástica de negócios, e consequentemente de emprego e de renda para milhares de profissionais.

Mas, como luz no final do túnel, a rediscussão sobre as regras do pré-sal, a partir da aprovação do projeto em Brasília, faz surgir uma nova perspectiva de retomada de negócios para o parque industrial que viveu à sombra da desmobilização.

“O Brasil possui um potencial geológico fantástico. Mas, a Petrobras hoje não possui condições financeiras para transformar as reservas do pré-sal em combustível necessário para alavancar a nossa economia. Portanto, a mudança do marco regulatório nos faz voltar a mirar as grandes empresas que ainda querem investir no setor de exploração e produção, mesmo com a queda do preço do barril no mercado internacional”, afirma Gilson Coelho, secretário executivo da Abespetro.

Segundo Gilson, antes da crise internacional do petróleo, as grandes companhias offshore projetavam a aplicação de mais de US$ 700 bilhões em investimentos no setor de exploração e de produção. Com a redivisão da estratégia de expansão, as empresas prospectam agora cerca de US$ 450 bilhões a US$ 500 bilhões.

“Esses recursos podem voltar a injetar ânimo em Macaé através da abertura do mercado. As empresas querem participar do pré-sal brasileiro. O projeto aprovado no Congresso não tira da Petrobras a prioridade na escolha dos blocos de exploração a serem leilados pela ANP. A companhia só não terá a obrigatoriedade de participar de todos eles”, disse Gilson.

Novo ciclo do petróleo nacional ganhou força na Brasil Offshore

No dia 23 de junho de 2015, o Centro de Convenções Jornalista Roberto Marinho registrou o fortalecimento da proposta que garante a Macaé possibilidade de projetar um novo ciclo de desenvolvimento e prosperidade em dois anos.

O dia foi marcado pela participação do Senador José Serra no fórum político da feira. Diante de uma plenária formada por empresários da região, do Brasil e do mundo, ele defendeu a “salvação de Macaé”.

“Dificilmente se atrai investimentos com a Petrobras sendo operadora única. Qual empresa vai querer participar de concorrência para exploração já sabendo que a estatal terá 30% da área de produção? Esse modelo de poder para elevar a companhia ao posto de número 1 no mercado mundial do petróleo é errado, e precisa ser discutido”, defendeu Serra naquela época.

A participação de Serra na Brasil Offshore foi articulada pelo prefeito Dr. Aluízio Júnior (PMDB), com o suporte do então secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Vandré Guimarães.

* Na foto José Serra apresentou na Brasil Offshore defesa de projeto aprovado pelo Congresso nesta semana

Fonte: O Debate On