O que o Brasil tem a dizer sobre o futuro das nossas cidades

monicabarbosa_27outubro

Por Mônica Barbosa

Mais atual do que nunca, o debate sobre o futuro da moradia e do desenvolvimento urbano sustentável é tema do Habitat III, a conferência internacional das Nações Unidas que aconteceu na semana passada em Quito, no Equador. Em sua terceira edição, o evento reuniu governos do mundo inteiro em torno de uma agenda política sobre as estratégias de urbanização que serão implementadas nas próximas duas décadas.

E, claro, o Brasil não poderia ficar de fora dessa discussão. É por isso que o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR) compartilhou com o portal Arch Daily a carta de compromisso que foi apresentada por lá. Para intensificar essa conversa tão essencial para o nosso mercado, fiz um resumo do que há de mais interessante nesse documento que aborda e prontifica a contribuição do Brasil para o futuro da construção de cidades mais humanas e evoluídas. Leia a seguir:

As cidades, para o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil,  “não podem ser vistas como espaços isolados no território de uma nação e tampouco devem ter seus problemas analisados e geridos de forma compartimentada em diferentes sectores. A cidade é um todo”. Sendo assim, ela “é o suporte físico para o desenvolvimento econômico e social. Desse modo, o planejamento deve se antecipar aos problemas com uma visão de longo prazo, pois sua inexistência representa uma condenação às futuras gerações”.

Mas “não se trata de uma questão a ser enfrentada somente na esfera técnica. São essenciais vontade política, participação popular e cultura cidadã. A partir desse tripé se configura uma agenda política da cidade, elaborada pelo cidadão e sustentada por conhecimentos transdisciplinares”.

Sabemos que “em 1950, apenas 35% da população brasileira vivia em cidades”. Hoje, esse número está em 85% e projeções indicam a desaceleração do ritmo de urbanização nos grandes centros, mas, ainda assim, não deve existir inércia: “é preciso cuidar das novas fronteiras em criação” e “abrandar os sérios paradoxos que marcaram essa rápida transição de um país de dimensões continentais que era majoritariamente rural e se tornou um dos mais urbanizados do mundo.

Independentemente das diversidades socioeconômicas das cidades brasileiras, há características semelhantes entre elas, como  “crescentes problemas de mobilidade em decorrência da prevalência do automóvel, da deficiência dos transportes públicos e desprezo histórico pela acessibilidade”; “grave carência de infraestrutura, como serviços deficientes de abastecimento d’água, esgoto e remoção de resíduos sólidos, particularmente em áreas periféricas”;

degradação dos espaços públicos, que vem perdendo sua importância como lugar de vida coletiva, e dos centros históricos, cada vez mais destituídos de importância simbólica, política e econômica”; etc.

Esse processo, garante o documento, “é, em grande parte, fruto do desmantelamento do planejamento urbano ocorrido no Brasil nas últimas décadas nas três esferas federativas”. Mas, em oposição a esse cenário, “o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil defende um pacto pela qualidade da cidade baseado em instrumentos políticos de gestão pública transparentes e inclusivos, como a governança urbana; um plano de desenvolvimento urbano integrado e integrador da cidade e seu desdobramento para as escalas do bairro, da quadra, da rua e do lote; e o monitoramento cidadão constante das metas desses planos, a ser efetuada pelos gestores das cidades, com total transparência para a população”.

No âmbito do planejamento urbano, por exemplo, a ideia é “priorizar o pedestre, criando condições para que as pessoas utilizem as ruas e sintam-se seguras”; “tornar as cidades socialmente inclusivas, oferecendo mais oportunidades de interação social e de crescimento pessoal e coletivo e promovendo espaços para todos os segmentos e faixas etárias, eliminando formas de segregação e exclusão física ou espacial”; e “adotar o modelo de cidade ambiental e socialmente sustentável, incentivando a arborização urbana, estimulando a eficiência energética, o baixo consumo de carbono, a crescente substituição por fontes de energia renováveis e a reutilização dos resíduos”.

Quer ver essa carta na íntegra? Clique aqui.

MÔNICA BARBOSA é reconhecida como a voz do design no Brasil. Idealizadora e diretora do LIVING DESIGN, a profissional multimídia estreou o primeiro programa de design no rádio no Brasil. Assina a coluna Design na revista semanal Caras e está presente no CarasBlogs, no Anuário de Decoração Caras e na revista mensal Minha Casa . Profunda conhecedora do comportamento estético, do estilo de vida e do morar contemporâneo, a publicitária se especializou em arquitetura e design ao desenvolver projetos de branding para grandes marcas do setor. A partir de 2016, é também parceira da Feicon Batimat, maior feira da construção civil da América Latina.